‘Vivemos uma crise de palavras e de repertório’, aponta Ilan Brenman em conferência com Clóvis de Barros Filho

Ao longo da história, nos acostumamos a observar imagens de filósofos como figuras sérias e introspectivas, sem espaço para as amenidades mundanas. Mas será possível filosofar se divertindo? A conferência do escritor Ilan Brenman e do filósofo Clóvis de Barros Filho, nesta quinta-feira (8/08) à noite, no Theatro Pedro II, provou que sim. Com histórias de vida e reflexões bem-humoradas, a dupla levou ao palco os debates reunidos no livro “Filosofia ao pé do ouvido: Felicidade, ética, amizade e outros temas”, que surgiu a partir das conversas públicas que tiveram via virtual durante a pandemia.

“No Brasil, hoje em dia, todo mundo fala sobre qualquer assunto, e foi isso o que fizemos em nossos diálogos, abertos ao público, para tratar sobre ética, justiça, liberdade e amizade. Aliás, a gente já era amigo antes do livro, mas agora, a cada evento que participamos por causa do livro, a amizade cresce ainda mais. O Ilan, esse escritor consagrado, reconhecido internacionalmente. Eu, uma espécie de camelô de discursos filosóficos, sempre pronto para comentar qualquer tema”, disse Clóvis.

Ao comentar (e imitar) as conversas que ouve entre os jovens de hoje, Ilan relembrou de um aplicativo para celulares que tem como única função enviar a expressão YO para alguém. “É a realização da profecia de George Orwell em “1984”, o controle por meio da redução de repertório das pessoas. Hoje, vivemos uma crise de palavras, de linguagem, de repertório. Nós precisamos de mais metáforas, de mais criatividade, por isso, eu peço: ofereçam um banho de linguagem, um banho de narrativas às crianças. Abram livros, leiam livros, por favor!”, pediu o escritor.

Em outro momento, Clóvis de Barros Filho abordou a supervalorização que damos ao futuro, em detrimento da vida presente. “Nós nunca estamos prontos. O que vale é o que vai acontecer depois que eu me formar, depois que eu começar a trabalhar, depois que eu for nomeado CEO. Com isso, nos habituamos a desvalorizar a vida onde a vida está, que é hoje. Por isso sou contra as escolas que traduzem o desempenho dos alunos na frase ‘passar de ano’. Vamos aprender a viver o ano, a desfrutar o ano”, provocou o filósofo, que ainda lembrou da infância em Ribeirão Preto e referências como a rua Barão do Amazonas, onde nasceu – “em cima da Lanchonete Mau Mau”, e a Sorveteria do Geraldo. “O Clóvis me levou para conhecer hoje à tarde. O sorvete de Málaga do Geraldo, nossa…”, suspirou Ilan antes de partirem para a concorrida sessão de autógrafos na Feira Internacional do Livro.

Sustentabilidade

Ainda na quinta-feira, no estande da Prefeitura, na entrada central da Praça XV de Novembro, crianças e adultos se divertiram e aprenderam em duas oficinas educativas realizadas pelo Instituto Estre, em parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Na primeira, os participantes receberam orientações de como construir composteiras caseiras, com direito a levar para casa as caixinhas modelo, com terra e minhocas, para implementarem o manejo sustentável do lixo orgânico doméstico.

Em seguida, a oficina de placas sustentáveis uniu ludicidade e criatividade na produção de placas indicativas e sinalizadoras feitas com madeira, estêncil, canetas coloridas e sisal. Para arrematar, o público recebeu sacolas de tecido reutilizado para o transporte da produção. As duas atividades contaram também com parceria do Instituto Tecendo afetos, de Curitiba, que esteve pela primeira vez na FIL. “Muito gratificante a experiência na feira, levando ao público informações sobre a importância da reciclagem e de separar o lixo de forma adequada. Especialmente o contato com as crianças foi maravilhoso, plantando neles a semente da sustentabilidade”, disse Sueli Herman, fundadora e diretora da Tecendo Afetos, entidade que atende mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica em Curitiba.

Técnicas de escrita

No auditório Pedro Paulo da Silva, no Centro Cultural Palace, os adolescentes participaram de uma conversa sobre escrita, criação literária e artes visuais. A escritora Eda Carvalho alertou sobre o uso inadequado do gerundismo na fala e na escrita. “Ouçam mais, leiam mais, pois isso faz a diferença lá na frente”, disse, destacando a importância de se atentar à linguagem.  O também autor Edson Malta enfatizou a relevância da literatura brasileira na preparação para a redação em vestibulares, alertando sobre os riscos do uso excessivo de estrangeirismos. “É fundamental ler livros em nossa língua: a redação é a parte do ENEM – e a que mais pesa na nota final. Então, ter uma base sólida em literatura brasileira é essencial’, comentou. O público também pôde apreciar a exposição dos trabalhos da fotógrafa Ana Martinez e dos robôs falantes criados pelo artista plástico Giovane Malta.

A FIl segue até o próximo domingo (11) com atividades para todas as idades. A programação completa está disponível no endereço eletrônico www.fundacaodolivroeleiturarp.com. O evento tem organização e realização do evento é da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto.

Mais informações:

www.fundacaodolivroeleiturarp.com

Instagram: @fundacaolivrorp

Facebook: @fundacaodolivroeleiturarp

YouTube: /FeiraDoLivroRibeirao

Twitter: @FundacaoLivroRP

Realização

Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Usina Alta Mogiana, GS Inima Ambient e Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto apresentam a 23ª FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto.

Patrocínio Diamante: Usina Alta Mogiana e GS Inima Ambient

Patrocínio Ouro: Arteris

Patrocínio Prata: Necta Gás Natural e Savegnago

Patrocínio Bronze: Gerdau, Lupo, Ribeirão Shopping Multiplan e Tracan

Instituição Cultural: Sesc

Apoio Cultural: APAA – Associação Paulista Amigos da Arte, ACIRP – Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, Universidade Anhembi Morumbi, Apis Flora, Caldema, Grupo Intelli, Cervejaria Invicta, Gnatus Equipamentos Odontológicos, Supermercados Gricki, Madeiranit, Monreale Hotels, Grupo Passalacqua, Passalacqua Tech, Riberfoods, Santa Helena, Real Supermercados, Santiago e Cintra Geotecnologias, Santa Emília, Vantage GeoAgri, Transface, Grupo Utam, Pedra Agroindustrial e Virbag.

Apoio Institucional: Fundação Dom Pedro II, Biblioteca Sinhá Junqueira, Consulado Geral de Portugal, Camões Instituto da Cooperação e da Língua Portugal, CUFA – Central Única das Favelas, ONG Arco Íris, Coletivo Abayomi, Diretoria de Ensino – Região de Ribeirão Preto, ETEC José Martimiano da Silva, Fundação Educandário, SESI, SENAC, Barão de Mauá, Centro Universitário Moura Lacerda, Unaerp, IE – Instituto de Estudos Avançados Da Universidade de São Paulo, Adevirp – Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto e Região, Ann Sullivan, Associação dos Surdos de Ribeirão Preto, CAEERP,Dr. Cãopaixão, FADA, Fundação Panda, RibDown, ALMA – Academia Livre de Música e Artes, Convention & Visitors Bureau, Painew, Verbo Nostro Comunicação Planejada, IPCCIC, RP Cine, Guarda Civil e Polícia Militar.

Sobre a FIL

A FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto consagrou-se como um dos maiores eventos culturais do país e tornou-se internacional em 2020. Atualmente, possui 24 anos de história e realiza neste ano a sua 23ª edição. A cada ano, a programação reúne autores, artistas, intelectuais, educadores, estudantes e participantes de diversas localidades. Todas as atividades são gratuitas e abertas à população, o que consolida o objetivo primordial de fomentar a leitura e de contribuir para ampliar os números de leitores do país.

Sobre a Fundação

A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, responsável pela realização da Feira Internacional do Livro da cidade, hoje considerada a segunda maior feira a céu aberto do país.  Com uma trajetória sólida, projeção nacional e agora internacional, a entidade ganhou experiência e, atualmente, além da feira, realiza muitos outros projetos ligados ao universo do livro e da leitura, com calendário de atividades durante todo o ano. A Fundação do Livro e Leitura se mantém com o apoio de mantenedores e patrocinadores, com recursos diretos e advindos das leis de incentivo, em especial do Pronac e do ProAc.


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