A jornada de um atleta não é mole e requer muita disciplina e dedicação para alcançar resultados expressivos. Imagina agora, como é a vida de uma criança com apenas 11 anos de idade que pratica, compete e ganha, não só uma, mas várias modalidades esportivas. Loucura, né? Pois essa tem sido a rotina da menina Laura Fagundes Rodrigues, que só no mês de junho faturou quatro títulos esportivos. Dois deles em apenas uma semana.
Laura foi Ouro na Copa Regional de Jiu-Jitsu, que aconteceu no dia 4 de junho em Ribeirão Preto. No dia 18 do mesmo mês, ela participou da VI Copa Califórnia de Fisiculturismo, na cidade de Franca, conquistando o primeiro lugar em duas categorias: Wellness Novata e Garota Bikini. Uma semana depois, no dia 26 de junho, foi a vez da Laura mostrar o seu talento e habilidade na VIII Copa Regional de taekwondo, que aconteceu na cidade de São Joaquim da Barra. A quinta conquista veio dia 9 de julho, na Copa Kamikaze de Jiu-Jitsu, em Ribeirão Preto, após vencer três adversárias.
Tanta dedicação e amor às atividades esportivas vêm de berço. Os pais de Laura, Wallace e Bruna, sempre praticaram esportes. Artes marciais e ciclismo são duas das atividades que sempre estiveram presentes na rotina da família. Aos 9 anos de idade, Laura já acompanhava os pais em passeios de pedal pelas estradas da região.

O início aos 2 anos de idade
Enquanto a maioria das crianças com dois anos de idade mal se equilibram nas pernas e passam o dia esparramando brinquedos na sala da casa, a pequena Laura já dava suas primeiras braçadas, buscando vencer a força do empuxo pela flutuabilidade.
Por conta de uma baixa imunidade, o médico recomendou aos pais de Laura que a colocassem para fazer aulas de natação. Segundo o médico, na época, a natação auxilia na produção de glóbulos brancos, que são os responsáveis pela defesa do corpo. A umidade do ambiente das piscinas, com temperaturas reguladas, também ajuda a combater os problemas respiratórios ocasionados pelo tempo seco. Além de hidratar as vias respiratórias, evita o ressecamento e previne de alergias, sangramentos nasais e crises respiratórias.
A natação fez parte da rotina da pequena Laura até os 8 anos, como resolveu trocar o esporte aquático e tranquilo, por outro mais “emocionante” e completamente diferente: o judô.
Antes desta troca, ela já praticava o jiu-jitsu, iniciado aos seis anos de idade sem qualquer pretensão de vir a competir um dia. “Era somente por esporte mesmo”, afirmou Laura.
Quando veio a pandemia e ficou impossível praticar esportes de contato, Laura resolveu intensificar as atividades de pedal, chegando a concluir o percurso de 100 km em apenas cinco meses de treino. “O importante era ela não ficar parada. Tinha que estar praticando algum esporte”, conta Wallace, pai de Laura e um dos seus principais incentivadores.
O retorno aos esportes de contato
Quando terminou a pandemia, Laura achou que já era hora de voltar ao esporte de contato e voltou para a academia a fim de recuperar o tempo perdido.
Nessa hora o professor de educação física e proprietário da academia Rodolfo Rodarte, enxergou naquela menina de apenas dez anos e corpo franzino, o potencial de uma campeã. Só precisava de bons treinos, aulas de musculação e cuidados especiais indispensáveis para encarar competições. Foi aí que ele resolveu fazer a proposta para Laura e seus pais, de oferecer toda a estrutura da academia para transformá-la em campeã.
No ano passado, com apenas 10 anos de idade, ela conquistou suas primeiras medalhas em artes marciais. Foi ouro em judô, prata em Taekwondo e três vezes ouro em jiu-jitsu.
Segundo Rodolfo, a atleta tem acompanhamento mensal com nutricionista e se submete a avaliação física para o ganho de massa, percentual de gordura e circunferência.
“Acompanhando os treinos e com os resultados das avaliações corporais, eu percebi que a Laura tinha um grande potencial também para aderir ao fisiculturismo”, conta Rodolfo. “A preparação para o fisiculturismo depende mais de mente do que corpo. O corpo nunca responderá completamente aos seus treinamentos até que você entenda como treinar a mente também. Quem olha de fora, sem conhecer o esporte, pode pensar que, para ser um atleta fitness, tudo se resume ao corpo: ganhar músculos e ter uma alimentação controlada. Sim, essa é uma realidade também, mas é somente a parte visível de quem não está por dentro do que, na verdade, é o fisiculturismo”, explica o proprietário da academia Hardcore, onde Laura treina atualmente.
“Quem olha de fora, sem conhecer o esporte, pode pensar que, para ser um atleta fitness, tudo se resume ao corpo: ganhar músculos e ter uma alimentação controlada. Sim, esta é uma realidade também, mas é somente a parte visível de quem não está por dentro do que, na verdade, é o fisiculturismo” explica. “Seja para competir em alto nível, seja para praticar seu esporte favorito, o preparo mental e o autoconhecimento são tão importantes quanto a boa forma para que você possa alcançar os objetivos a que se propôs”, finaliza Rodolfo.
Além do esporte
Quando não está na academia treinando, Laura leva uma vida normal, igual a de qualquer outra criança da sua idade.
Aos 11 anos, Laura cursa o 6º ano do ensino médio, na escola Maria Celina Walter de Assis, em Serrana. Segundo seus pais, ela é uma excelente aluna e nunca tirou nota abaixo de 8.
Em casa, Laura usa seu tempo para ler bons livros. Sua rotina de leitura é em média de 1 hora por dia.
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